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Querida Tsunami

Três amigos, três histórias, três caminhos diferentes.

Uma inquietação e uma vontade: MUDANÇA DE REALIDADE.

Primeira vez que nossas inquietações foram fundidas em uma estávamos almoçando juntos - eu acho - cursando o oitavo semestre da faculdade, olhávamos para nossa turma e percebemos que um lapso de formação havia ocorrido. Seríamos jogados aos leões do internato e não havíamos vivenciado MEDICINA DE EMERGÊNCIA.

Reclamamos, falamos mal de nosso curso bicentenário... acredito que as paredes untas em óleo de baleia estremeceram de tudo que nós falávamos. Mas. E ai? O que fazer?

Em 2013, inconformados como sempre e depois de algumas reuniões, resolvemos propor a nossa turma um curso de três dias, em formato de imersão, que nos preparasse para entrar no internato. Realizado em nossas férias, pré internato. Assim nascia o Curso de Imersão em Emergências Médicas - CIEME. Hoje, após mais de dez edições, muito melhor organizado, com participação de diversas ligas e abraçando não só a UFBA como a UNEB.

Formamos em 2015 e cada um seguiu um caminho diferente. Um de nós decidiu viver a vida por um ano. O outro resolveu encarar logo a residência médica. E eu? Resolvi servir a pátria e esperar o tempo certo para viver sonhos que pareciam grandes demais - naquela época. Caminhos diferentes. Inquietação igual.

Lembro quando escutamos, pela primeira vez, que a faculdade iniciaria o internato de urgências e emergências, chegamos a frequentar algumas das reuniões durante o processo de adaptação. Era a realidade mais uma vez mudando.

Surgiu então uma oportunidade ímpar... já vivíamos ai o ano de 2017. Concurso para professor substituto da Faculdade de Medicina da Bahia, para o Internato de Urgências e Emergências. Inicialmente uma vaga. Nós três nos inscrevemos. Não dava para apenas um professor tomar conta de todas as atribuições necessárias para o internato. Decidimos, que independentemente do que ocorresse, nós três assumiríamos o cargo.

Supreendentemente voltávamos a nossa casa, querida casa, para mais uma vez mudar.

Ali começava uma história de amor com o ensino e com a surpreendente arte de aprender. Pela primeira vez, em mais de 200 anos, três professores em sala de aula, toda quinta-feira, das oito as cinco, uma hora para almoçar... e muitas vezes até depois das cinco. Capitaneados por nosso coordenador - André Gusmão - foi-nos dada a liberdade de apagar o caminho trilhado e criar nossos próprios caminhos.

Nesse caminho, encontramos várias turmas maravilhosas.

Nesse caminho, nossos alunos nos moldaram e ensinaram como ser melhor.

Nesse caminho, sorrimos, choramos, nos cansamos... vibramos com cada parada cardiorrespiratória revertida, com cada história vivida, com cada aventura.

Nesse caminho, fomos engolidos por uma TSUMANI.

Todas as turmas, são e foram especiais.

Mas a Tsunami, registrou isso em papel. No final do estágio, sempre aplicávamos questionários com intuito de melhorar. Mas não entendemos muita coisa, quando um formulário de pesquisa, foi usado para transmitir admiração e amor.

Assim como nossos encontros toda quinta, aquilo foi tão fora do comum, tão cheio de energia e verdade, que ficamos anestesiados, sem ação, por quase um ano. Só então, respondemos... com uma carta a nossa querida TSUNAMI.

***

Querida Tsunami,

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